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Não ignore o olhar de peixe morto!

25/08/2011 às 11:15

*Luís Carlos Luciano

 

O belo Rio Dourados há muito não é mais o mesmo, isso não é nenhuma novidade.

A cor barrenta sim é a de sempre.

O rio está com olhar de peixe morto!

Uma tristeza mortífera!

Ele grita por socorro e ninguém o acode.

Também pede ajuda o restante da flora e da fauna douradenses, mas a poluição entupiu os ouvidos das pessoas e dos governos.

Em vez de serem todos ouvidos se fazem de moucos!

O rio, os córregos e os bichos podem ensinar muito.

E não param de cobrar, numa coreografia de apelo, a falta de consciência e de uma política pública ambiental de verdade e não de mentirinha.

Além do olhar de peixe morto, o Rio Dourados anda choroso, remelento e com nhaca no nariz...

Mas não por culpa dele!

Liguem para o 192 do SAMU enquanto ainda resta um sopro de vida no verde desbotado...

O ambiente de vida aquática, mesmo agonizante, mata a fome e a sede dos ribeirinhos e dos urbanos...

Ele não tomou drogas por curiosidade.

Enfiaram-nas barranco abaixo!

Substâncias venenosas se misturam ao lixo onde a vida parcialmente nasce e se renova...

A roda do círculo natural está sendo rapidamente retorcida, enferrujada...

O manancial não está mais suportando o sofrimento e a covardia.

Teria arquitetado um plano para a vil vingança.

Compartilhar aquilo que mais e mais o destrói com os ditos inteligentes eretos de dois pés que habitam as cidades...

Teria decidido: seria olho por olho!

Ou melhor: olho de peixe morto por olho de peixe morto!

Afinal, a água barrenta corre para a água barrenta...

 

 

* O autor é jornalista, licenciado em Letras e pós-graduado em Teoria da Literatura e Literaturas de Língua Portuguesa pela UFMS. Autor de quatro livros: “O fenômeno Diário MS: dez anos de um sonho que está dando cada vez mais certo”; “Legislativo de Dourados: 1935-2006”; “Ribeiro: Arquitetura, Urbanismo e Meio Ambiente - Exercício de Cidadania” e “Triunfo e Glória de um Guerreiro” (inédito). Membro da Academia Douradense de Letras (ADL) e diretor do Sinjorgran e Fenaj.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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