»Coçando verbo

Um bosquejo para Odila

02/05/2005 às 06:40

 

Inspirado na faceirice da meia-lua de sábado passado (30.04) e no Dia do Trabalhador, pensando em uma maneira de retribuir à poetisa e professora Odila Lange a homenagem feita a mim, entre outros profissionais da imprensa de Dourados (MS), na noite do dia 7 de abril de 2005, na Câmara, logo me senti atentado a entrar na “praia” na qual ela se destaca.

 

Como passarinho não pode ter medo de voar e o coração está cheio de boas intenções, bosquejei alguns versos no estilo livre para ver se, no mínimo, chego às canelas dessa nobre poetisa que muito honra Dourados, autora de vários trabalhos bonitos com seu inegável talento, jeito gaúcho e forte de ver as coisas.

Naquele dia não estive na Câmara. Desconhecia a sua participação, mas logo que soube da minha caricatura – agradeço aqui também ao desenhista Amarildo Leite – e da alocução, fui ao escritório dela para obter uma cópia.

Ela tampou o rosto com a máscara caricaturada e leu este verso:

 

Como escritor preparado

Eu vou dando o meu recado

Com seriedade e lisura.

Não fico só nas manchetes

Pois não gosto de confete

E apesar da vida dura

Como meus livros de memória!

Eu vou ficar na história

Pois meu forte é literatura!

 

Foi à menção mais carinhosa recebida desde em que me encorajei a iniciar trabalhos literários, depois de longos anos na cozinha do jornalismo, embora as crônicas semanais tenham dado feedback e algumas pessoas têm enviado e-mail comentando-as.

Devo igualmente agradecimento aos sites que as têm divulgado e, é lógico, aos leitores, sem os quais todo esse esforço seria em vão.

Na minha humilde concepção, gratidão se paga com gratidão, ainda mais quando a gente tenta sobreviver em meio ao coçar e ao coçar o verbo, atividade feita com magia, calorias, eletricidade, subjetividade, concretismo, valores abstratos e espiritualidade cujo profissionalismo se mistura à imaginação e à inspiração.

Poucos percebem o tamanho do tecido verbal que nos envolve, indistintamente, e um número menor, infelizmente, dá o devido valor à arte de trovar, frasear, versar, ao repente, escrever com a caneta da alma coisas boas e positivas que levam alegria, felicidade, amor, informação, análise, romantismo, nostalgia, meninice, conforto e um olhar diferenciado sobre os fatos, entre outros predicados.

Apesar dos pesares, Dourados tem alguns valorosos talentos nessa área. Entre os quais, a distinta Odila Lange.

Espero que o caro leitor aprecie isto:

 

 

Para um bom pagador

Apenas agradecer

Pode não ter o mesmo sabor...

Por isso mesmo eu entendo

Palavra de carinho e afeto

Se paga com o mesmo acendedor...

Razão de meu bilbode

É acender ainda mais o seu calor!

 

Quando você na homenagem aos jornalistas

Lembrou-se com ardor e pendor

Deste humilde refém das palavras

Entre outros destacados

Eu logo fiquei pensando

Como Deus faz gente de muito amor...

Que reconhece os artistas

E dão a eles devido valor!

 

Feliz de um burgo

Cujos talentos...

Brotam como uma flor!

Pois, o que seria da nossa Dourados...

Sem os trovadores, poetas e artistas...

Que cantam versos

Como passarinhos que não se calam

Mesmo estando à frente do atirador!

 

Pois você Odila Lange

É uma heroína e feminista inquieta

Cuja academia enriquece

Com o seu talento encorajador...

Não tenho o mesmo dom

Como tu fazes com os seus versos...

Sou apenas um admirador

De sua pena que se veste de trovador!

 

Arrisco aqui uns poucos versos

Porque eu senti que nem todos

Na solene homenagem...

A retribuíram com o mesmo pendor!

Pelo menos aqui faço

A minha singela e sincera peça

Que talvez um dia...

Chegue aos pés do seu valor!

 

Obrigado mais uma vez

Professora, poetisa, incentivadora...

Que reconhece a menor fagulha

Que se acende literariamente

Na vinha da ansiedade

Procurando contribuir

Com desejos, sonhos e deleites...

Aqueles que esbanjam amor no lugar do dissabor!

 

Seja como memorialista, jornalista ou cronista...

E agora quem sabe um neo-versista...

A verdade é que um elogio ajuda

A levar adiante essa vontade

De sempre coçar o verbo...

Assim como tem feito

A poetisa Odila Lange

Desenhando trovas com muito amor!

 

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