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Um ermitão no Jabá Fé$t

08/06/2005 às 08:40

 

Um ermitão no Jabá Fé$t

 

O aprendiz de ermitão aterrissou no dia 21 de maio de 2005 na Expoagro e,  mesmo acostumado à tranqüilidade do rancho e ao barulho paradisíaco da  pequena cachoeira, se surpreendeu, alegremente, com a fanfarrice do Jabá  Fé$t e seu CD.
Escancarou a rir e ficou com dor na protuberância abdominal, ou, como se diz  lá no sítio, no pé da barriga mesmo; estralou a mandíbula de tanto  gargalhar...
Valeu a pena à diversão, embora tenha saído de lá com os bolsos vazios e a  cachola espumando cerveja. Aí entendeu melhor porque chamam essa moagem toda de Jabá Fé$t...
Dizem que a arte imita a vida, mas quando adentrou ao recinto, pelas portas  dos fundos, o "Jeca do Teretetê" e seu séqüito e os imitadores improvisaram  uma fala cara a cara, o aprendiz de ermitão ficou pensando como deve se  sentir o gaúcho ou o português quando se vêem provocados com uma piada...
O "Jeca", murtinhense, notoriamente vermelho por natureza e opção política,  naquele dia ficou ainda mais rubro... O homem do "teretetê" tem lá seus  defeitos e vergonhas como todos os mortais, mas, naquele dia, ele entrou  para a história como caboclo deflorado pela sátira e pelo sarcasmo.
Folclórico, rendeu gracejos e estereótipos aos Sovacos de Cobra, ao lado de  vários personagens não menos engraçados...
Outros talvez não aceitariam a mesma brincadeira assim, no tête-à-tête,  embora as demais "vítimas" também não possam fazer nada além de encarar a  armação com bom humor e paciência...
A imitação e a criatividade nunca andaram, por estas bandas, tão juntas como  selo em sedex...
Esses artistas imitadores têm realmente costas largas, pois, conseguem se  esquivar de processos com uma facilidade tremenda em um rincão conservador,  tradicionalista, aonde se admite poucos gracejos e a questão da liberdade de  expressão é vista, lamentavelmente, com certa restrição, inclusive pelos  arautos da democracia. Por causa disso é que o aprendiz de ermitão se  socorre às metáforas, subjetividades, buracos de tatu e labirintos de
Borges... Embora, em Alfa verbal, se dê ao luxo de ignorar a própria  realidade...
Essa história de fazer jabá na versão humorística fez com que o cheiro da  apetitosa iguaria transcendesse o ambiente antipetista do desagravo. A  partir da cozinha, espalhou-se sala afora, quartos, quintais, mentes,  narizes, palácios, bocas, orifícios, paroles, consciências e alcançou o  folclore e o dito popular, transformando-se em arte e em remédio, senão
milagroso, pelo menos paliativo para as mentes amargas...
Como se não bastasse às macaquices na terra do "Imitar Tudo Pode, Ficar  Zangado Não Pode", a música foi uma porção à parte. Colocou a platéia a  balançar os quartos ao ritmo frenético do "The Last Year" (O Último Ano), do  "Dixavantes", tendo ainda o Sandro na apresentação solo em seu saxofone.
Os imitadores César Cordeiro, Valter Ramos, Clóvis Cordeiro e Ivan Martin  provaram que não é preciso se temer quando se faz aquilo que se gosta e se  tem vontade, desde que a arte seja desenvolvida com talento e  profissionalismo, mesmo sendo esse desejo zoar a caricatura e os defeitos  alheios...
Se rir é o melhor remédio, esse quarteto fez um serviço de utilidade  pública...
O aprendiz de ermitão adorou as pilhérias... Em momentos de reclusão,  reflexão e conversa com as estrelas, muitas vezes ele também se sente um  artífice da palhaçada com a diferença, no caso, de não ter público...

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