»Coçando verbo

“Ziquezeira”

17/02/2005 às 11:01

Na festa dos jornalistas em plena 2ª feira à noite, perguntei a um colega: “você sabe de onde vem o nome zica?”, aproveitando uma menção divertida sobre o dito cujo. Ele lembrou da época da Caneca, do saudoso Júlio Marques, daqueles encontros ébrios entre os assessores do Zé Elias, isso entre o final da década de 70 e início da de 80.
A pessoa que acabou sendo coroada com o termo é o emblemático Walmir Leite (desculpe-me, prezado, mas esta é apenas uma caricatura!). Perguntei para um e para outro a origem dessa pecha.
O próprio “zica” falou dos freqüentadores da Pizzaria do Paulão, do “seu” Beto da Pão de Ouro, do Burino Bar, do Galo Fino, tentando desviar a minha curiosidade, dando a entender que esse nome saiu naquelas rodas cujos protagonistas ele não explica direito. Apesar de ser versátil nas frases de efeito e na brincadeira com as palavras, é enigmático com os gestos das mãos. Possui movimentos bizarros ajudando a fala. Aquilo não me convenceu.
Aí lembraram que a coisa começou com o Zé Henrique na Câmara, com o Valfrido, com o Cícero e a coisa foi passando de um para o outro.
Explico: “zica” é um neologismo, um pejorativo para definir um chato de galochas ou o termo pode ser empregado para entender uma situação inusitada e desconcertante: “este ambiente está zica; este cara é um zica”. Como diz o João Carlos, o “Maca”: “é muita mala para pouco metro quadrado”.
Lembraram do Leandro Rosa, do Akio Kazawara e outros que “sombrearam” o erário os políticos, atribuindo-lhes a autoria de espalhar esse neologismo. Falaram do Mário Márcio, do Alcides Miranda e daquelas rodas onde a zombaria era a birita principal.
Fui ao Vitor e perguntei-lhe, como se o repórter da casa não tivesse pergunta melhor a fazer para o patrão: “Vitor, você sabe quem começou a espalhar o nome zica pela cidade?” Ele respondeu: “Sei, mas não me recordo o nome. Pera aí...”.
Ligou para o Cícero e deste saiu o procurado: Luiz Alberto Merino (um “zica”?), agente publicitário que passou pela TV Morena, Jornal da Praça, isso no final dos anos 70. Merino começou a chamar o Walmir de “ziquezeira”, dado ao jeito folclórico e desengonçado do nosso coroado. Do “ziquezeira” para o “zica” foi um pulinho.
Ao comentar para o Walmir a descoberta, ele retrucou: “zica é quem fala que o outro é zica, isso vem lá de longe...”. É um “zica” perfeito. Ele consegue tirar fotos com música e tocar sinos imaginários.
Se o termo é para definir, no caso em questão, um chato, o leitor deve fazer a autocrítica. As pessoas têm méritos e defeitos, nem sempre em proporções equilibradas. Há muitos defeitos de fábrica. O duro é agüentar os absolutamente absolutos. O pleonasmo fica por conta da própria de “ziquear”!
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