»Coçando verbo

Um doce para o "Furmiga"

05/07/2005 às 17:39

 

O “furmiga”, como o apelido sugere, apesar do erro na grafia, parece mesmo uma formiguinha. Ou um “smilinguido”.

Não pára. É elétrico, bem entrosado com a rapaziada, integra a seleção de basquete da cidade e do Estado, gosta da boa vida e tem disposição para enfrentá-la de peito aberto.

É meio nervosinho às vezes.

Mas na maior parte do tempo prevalece à calma, freqüenta a escola e sonha, um dia, em ser médico e ganhar dinheiro com seu esporte predileto fazendo parte de uma grande seleção do eixo Rio-São Paulo.

Ainda bem que ele sonha bastante.

Como eu vivo voltado para as vaquinhas pequeninas que criam e engordam na forma verbal, me levando a lugares surrealistas, realistas e indescritíveis, nem sinto quando o “smilinguido” passa perto e diz:

- E aí velho? Beleza?

- Beleza...

Quando ele chega em casa, o telefone não pára de tocar.

Aliás, por falar em casa, na verdade ele possui outras, pois, um dia está na de um, no outro dia na de outro e assim vai pulando de galho em galho como um buliçoso, apesar das preocupações caseiras e dos alertas para que se cuide, seja discreto, tenha “desconfiômetro”, evite isto e aquilo para o seu próprio bem.

Mas o clã ou fãs do “furmiga” é curiosamente numeroso. Parece imã.

Vive emoção e aventura como um jovem saudável mal conquistado a maioridade voando para longe, muito longe...

Tem a força de saúva e a picada ardente de lava-pé.

A hiperatividade sempre foi, inegavelmente, uma de suas vitrinas.

Gosta de roupas de grife, de andar bonito, perfumado, com tênis caros – aliás, os de basquete custam o olho da cara e os patrocínios são difíceis nestes rincões – sempre com “halls” no bolso e nem vou entrar na seara feminina porque aí pode dar briga e confusão, pois, não me sinto seguro a me enveredar nessa areia movediça...

Lógico que dinheiro pode faltar para mim, mas para ele não.

O que eu tenho em abundância, no momento, ele não dá muita bola creio por causa da idade, mas acredito no reconhecimento, da parte dele, de valores cuja moeda não compra...

A sua prioridade é outra e, sem alternativa, resta-me respeitar a sua vontade e desejar-lhe boa sorte.

Quando o vejo em uma quadra correndo de um lado para outro, rápido, rasteiro, matreiro, guerreiro e às vezes até sem estar muito inspirado, me pergunto: de onde veio esse cara?

Por conta própria, com apoio do seu primeiro professor que descobriu seu talento para o basquete, o Ubaldo, ganhou bolsa de estudo na extinta UEDI, depois Unimaster e hoje está no Objetivo sob as bênçãos do Carlos, o “goiaba”. Antes disso, já tinha sido avistado por outro professor amigo, o Edinho, que queria encaminhá-lo para o futebol de salão.

A partir da bola ao cesto, seus braços e pernas esticaram e hoje ele troca lâmpada em casa sem subir na cadeira, embora ainda seja baixo para os padrões do basquete...

O “furmiga”, no estilo “smilinguido”, caro leitor, é o meu filho mais moço, Luís Carlos Luciano Júnior, 18 anos, nascido em 21 de abril, dia de mais de uma comemoração.

Antes de encerrar, agradeço à família “furmiga” pelo apoio, camaradagem, tolerância e os doces, pois, a legião de amigos e colegas parece uma torcida de futebol ou, no caso, de basquete, de tão grande.

Agora, encerradas as duas lembranças caseiras, abro novamente a porta da sala e volto a olhar as coisas do lado de fora...

 

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