»Coçando verbo

O jabá e o caroço de manga

22/10/2006 às 17:51

“Dentro de um pragmatismo”, como dirigia o Diógenes Fernandes, o Jabá Fest 4 não decepcionou.

Muito pelo contrário, ficou bom.

Quem foi no lançamento, sábado passado (23) divertiu-se, colocou a fofoca em dia, comeu jabá, lambuzou-se com o caroço de manga e encheu os olhos de ciscos por causa da ventania e sujou os sapatos de lama devido à chuva.

Para uma festa que teve a presença de um governador folclórico, o personagem mais satirizado no CD, o Zeca do PT, bem no final da festa, fumando cigarrilha e com jeitão de Che Guevara, não poderia realmente sobrar manga, apenas caroços...

O CD possui 24 quadros de humor merecedores de apreciação e análise científica e leiga.

Mais do que isso: de risos, muitos risos...

Os textos são indiscutivelmente criativos e a produção em si igualmente surpreendente e irreverente. Tanto o César Cordeiro como o Walter Ramos e o Clóvis Cordeiro – este imita com perfeição o deputado Ari Artuzi – estão de parabéns por essa forma explícita de abordar uma questão controvertida, ou seja, o jabá no meio jornalístico. Aliás, o jabá não existe apenas no jornalismo...

Mais do que isso, sentar em cima do tabu e fazer dele um viés de graça e teatro.

Aquele sábado no CID foi de certa forma indescritível, reunindo cenas atípicas e personagens por si só “iluminados”, cheios de presença e ruidosos.

Desta vez houve uma maior preocupação com a linha universal para o local, de tal forma que o mesmo CD poderá ser ouvido lá no Acre que os risos serão inerentes.

Igualmente, a escolha do tema, o Trem do Pantanal, foi bastante feliz. Hoje o Pantanal é uma linguagem conhecida no Mundo Ocidental.

Para quem aprecia o bom humor e uma aprazível produção artística, o Jabá Fest 4 é um prato de mangas doces.

Sempre considerei fantástico o trabalho desenvolvido por esses jovens artistas pela forma de contar piadas, fazer humor e ganhar dinheiro com isso, transformando a vida mais alegre aos que ignoram brilho e magia em coisas simples que estão na crônica popular local, regional e nacional.

O Jabá Fest vende, bem ou mal, uma imagem de quem adora e sabe tirar o sarro sobre figuras de domínio público. Não é talento para qualquer um, bem como é uma coragem de poucos.

Quem foi, com certeza, gostou da manga.


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